Saúde preventiva
Cobertura vacinal em crianças está abaixo do recomendado no país
Pelo menos 11 das 13 vacinas destinadas ao público até 5 anos não batem a meta adequada
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra uma elevação das coberturas vacinais desde 2022, porém 11 das 13 vacinas destinadas a crianças menores de 5 anos estão abaixo das metas estabelecidas.
Apesar do cenário desafiador, o protagonismo dos Municípios na cobertura vacinal do público tem apresentado resultados positivos. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, 7 de janeiro, faz uma análise das coberturas vacinais de rotina no Brasil entre os anos de 2010 a 2024. São 13 vacinas de rotina recomendadas para crianças com até cinco anos de idade.
Segundo o levantamento, em 2024, a média de todas as coberturas vacinais atingiu o índice de 87,6%. No mesmo período, apenas a vacina BCG e a primeira dose da Tríplice Viral (SRC) atingiram suas metas de cobertura. Segundo o levantamento, entre 2010 e 2024, considerando apenas as vacinas com dados disponíveis em todos os anos, a BGC atingiu a meta em 11 anos da série, a Tríplice Viral (SRC), em oito anos; a Poliomielite (VIP), em cinco anos; e a Rotavírus em quatro anos, dos 15 analisados.
A vacina contra a Poliomielite não alcança a meta de 95% desde 2016, ou seja, há nove anos. Vacinas como a Penta, Pneumocócica, Rotavírus, Meningocócica C, Febre Amarela, Hepatite A, DTP e Varicela evidenciam os desafios significativos para atingir ou manter suas metas de cobertura ao longo da série histórica analisada.
Para o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, a recuperação está atribuída ao compromisso dos Municípios, que materializam, na ponta, as políticas públicas de saúde, transformando diretrizes nacionais em ações concretas que chegam como serviços à população. “Mesmo com a escassez de recursos, gestores locais têm intensificado a busca ativa de não vacinados e a atualização do cartão vacinal, reforçando a necessidade de articulação entre os entes federados e da garantia, por parte do Ministério da Saúde, da disponibilidade contínua de vacinas, evitando os desabastecimentos registrados em 2025”, defende. .
A CNM reforça a necessidade de um esforço conjunto e sustentável entre União, Estados e Municípios. Entre as soluções propostas estão a garantia da disponibilidade contínua de vacinas, a modernização do Sistema de Informação do PNI (SI-PNI), o aumento do financiamento federal para a vigilância em saúde e a realização de campanhas de sensibilização permanentes.
Conclusões
O levantamento conclui que a quena na cobertura vacinal nessa faixa etária não é apenas efeito da pandemia, que reduziu ainda mais as coberturas vacinais. Outras causas também vêm contribuindo para as baixas coberturas, como: a falta de vacinas apontadas em estudos anteriores, campanhas antivacinas (divulgadas principalmente nas redes sociais), ausência de investimentos nas salas de vacinas e rede de frio, subfinanciamento e ausência de regularidade das campanhas vacinais.



